
Todo ciclista curte uma boa pedalada. Mas é na hora de levar a bike
de um canto para outro que surgem as dificuldades e as dúvidas. Existem
várias formas de se levar a bike no carro, seja desmontada no
porta-malas, no teto, na caçamba e até dentro do carro. Para quem não
tem um carro com porta-malas bem servido, a solução é usar algum tipo de
suporte exterior, seja no teto ou na traseira do carro. A melhor e
opção é transportar a bike com total segurança nos racks e suportes
específicos para esse fim. Há diversas alternativas no mercado, para
todos os bolsos e necessidades, que podem ser encontrados nas melhores
bike shops e também em lojas de acessórios para automóveis.
NO TETO
Uma das melhores maneiras de se levar a bicicleta é fixada num rack
de teto. Um automóvel pequeno leva até quatro bikes com muita segurança.
Há modelos que levam a bike inteira, com ambas as rodas montadas,
outros levam sem a roda dianteira. Alguns prendem a bike pelo quadro
(desaconselhado para quadros de carbono), outros prendem as rodas. Há
modelo com sistema antifurto e trava com chave.
Para carros que já vêm de fábrica com longarinas (por exemplo a
Parati, Palio Weekend, Ecosport, Renault Duster entre outros) basta
comprar as travessas e fixá-las nas longarinas) e a calha, onde as rodas
da bike vão assentadas. Mas, a grande maioria dos automóveis sai de
fábrica sem as longarinas no teto e o biker deve adquirir também o kit
de fixação, que varia de carro para carro.
Algumas montadoras oferecem racks originais de fábrica, que podem ser
adquiridos e instalados nas concessionárias. Em todos os casos é
fundamental comprar o kit de fixação (suporte, travessas e calhas)
específicos para o modelo de automóvel. O ideal é levar o carro até a
loja e fazer o teste com todo o conjunto antes de comprar.
Os preços variam muito em função da qualidade e os mais em conta
podem ser encontrados a partir de R$ 85. Há marcas nacionais como a
Century, Eqmax, Altmayer, Longlife e Transbike, e também as importadas,
como a sueca Thule, especialista em racks de alta qualidade para esquis,
pranchas, caiaques e bicicletas e que oferece cinco anos de garantia.
Na hora da instalação, certifique-se que a montagem foi bem executada e
que todas as peças estão firmes. Na hora de transportar a bike,
verifique se a mesma não está balançando. Vale a pena prender a
bicicleta nas longarinas com elásticos com ganchos (daqueles usados por
motociclistas) como medida de reforço e segurança extra.
Pontos positivos:
- Rapidez para fixar a bike
- Proteção contra eventuais colisões que o veículo possa sofrer no trânsito
- Cabem várias bikes no teto
Pontos negativos:
- Difícil para pessoas de baixa estatura
- Arrasto aerodinâmico
- Perigo de danos nas bikes em locais de “teto baixo” (portões e garagens)
- Preço
ECONÔMICOS
O mais econômico e o primeiro dos transportadores de bicicletas a
aparecer em nosso país é o suporte que ficou conhecido como
“Transcaloi”, que vai preso na parte traseira dos automóveis por meio de
correias de nylon e leva até duas bikes. A Caloi não fabrica mais esse
tipo de suporte, mas o mercado tem várias marcas.
O grande inconveniente é que, para a grande maioria dos automóveis,
esse tipo de rack pode acarretar multas, pois encobre a placa do veículo
e as luzes de sinalização e muitas vezes excede a largura lateral do
veículo. Outro senão desse tipo de suporte é a sensação de insegurança,
já que todo o conjunto balança em pisos irregulares e, portanto, seu uso
é desaconselhado para transportar bikes de alto valor e em longos
trajetos em estrada. Custam a partir de R$ 60.
Pontos positivos:
- Bastante econômicos e fáceis de encontrar
- Ocupa pouco espaço em casa e no porta-malas
Pontos negativos:
- Encobre a placa e as luzes na maioria dos carros
- Deixam as bikes vulneráveis a colisões traseiras (o carro está coberto pelo seguro, a bike não)
- Exige proteção para a pintura das bikes
- O sistema de fixação deixa a desejar
- Grandes chances de riscar a bike e o carro
- Operação demorada para fixar o suporte no carro e as bikes no rack
RACKS DE TRASEIRA

Os
racks de traseira que vão fixados na bola de engate do veículo são uma
opção viável de transporte. Há modelos que levam até três bikes e
suportam um peso de no mínimo de 45 kg. Um dos mais em conta é o
Bleckmann, que leva duas bikes, tem altura regulável e pode ser
encontrado por R$ 120, já a Altmayer tem um modelo que leva três bikes e
custa em média R$ 155.
Alguns bagageiros de traseira para sedãs vão fixados no porta-malas
por meio de tiras de nylon, como o modelo ZX da Eqmax, a linha RaceWay
da Thule, e o modelo 9001, da Cyel, que pode se encontrado na faixa dos
R$ 200. Esses modelos, entretanto, expõem o motorista ao risco de
multas, pois as luzes de sinalização e a placa traseira podem ficar
encobertas pelas bikes.
A Thule oferece uma infinidade de modelos, para até quatro
bicicletas. Um modelo interessante da marca é o ClipOn High 9105, que
leva as bikes numa posição mais elevada, deixando livres a placa e as
luzes do veículo. Opcionalmente, a marca vende um suporte para a placa
do veículo com um jogo de iluminação completo (freio, lanterna, pisca e
iluminação de placa) para eliminar de uma vez por todas o risco de
multas.
Há suportes que vão fixados no estepe de carros como o Cross Fox e o
Ecosport. Um modelo econômico é o Transbike, que custa R$ 139 e leva até
três bikes. A Cyel e a Thule também oferecem modelos a partir de R$ 283
e 930, respectivamente.
Pontos positivos:
- Práticos e rápidos de utilizar
- Há opções bastante econômicas
Pontos negativos:
- Encobre a placa e as luzes em alguns carros
- Exige proteção para a pintura das bikes
- As bikes ficam vulneráveis a colisões traseiras (o carro está coberto pelo seguro, as bikes não)
- O carro tem de ter bola de engate
- Bikes ficam mais expostas a ladrões
PICAPES
Proprietários de caminhonetes podem transportar várias bikes com
segurança gastando pouco. Uma solução simples é usar esticadores com
catraca (próprios para amarração de cargas) para fixar a bike nos
ganchos da carroceria. Custam entre R$ 30 e R$ 40 o par e são vendidos
em lojas de motos. Outra forma é fixar um suporte de blocagem na grade
de proteção do vidro traseiro, ou mesmo no piso da carroceria (a Century
comercializa o suporte S-300 por R$ 113), para prender a bike pelo
garfo. Uma Saveiro, por exemplo, pode levar até seis bicicletas
completas com esse sistema de fixação.

A Thule oferece o suporte BedRider (R$ 882), própria para caçambas.
Picapes equipadas com lona marítima, uma dica é a instalação da calha
sobre a capota, que permite levar toda a bagagem protegida sob a lona.
Pontos positivos:
- Baixo investimento
- Facilidade e rapidez de operação
Ponto negativo:
- As bikes ficam mais sujeitas a furtos (o uso de cadeados é fundamental)
DENTRO DO CARRO
Para quem não tem o rack, uma das saídas mais econômicas é instalar
nas rodas o dispositivo conhecido como “blocagem” ou engate rápido
(quick release, em inglês). Esse acessório pode ser instalado facilmente
em qualquer bike e é encontrado facilmente em bicicletarias ou bike
shops e custam em torno de R$ 20 o par. Com esse sistema, a operação de
retirar e colocar as rodas é feita sem ferramentas em questão de
segundos e sem as rodas as bikes podem ser acomodadas no porta-malas da
maioria dos automóveis ou mesmo no interior do veículo, sobre o assento
traseiro.
Pontos positivos:
- Investimento zero para quem já tem a blocagem
- Segurança: a bike fica protegida da chuva, poeira, colisões e roubos
Pontos negativos:
- Operação demorada para colocar e tirar as bikes do carro
- Perda de espaço no interior do veículo
- Possibilidade de danos ao estofamento do automóvel
NA MALA
Outra forma prática de levar a bike no interior do veículo são as
mala bikes, que são feitas em tecido sintético resistente, do tipo nylon
ou Cordura, ou em material rígido, como os cases de guitarra e outros
instrumentos musicais. Um dos modelos mais vendidos no Brasil é da
Curtlo, com preço em torno dos R$ 360.
NO PISO
Vão fixados no piso do veículo e são próprios para carros com espaço
de sobra. É o caso dos furgões Fiorino, Renault Kangoo, Peugeot Partner,
Peugeot Boxer, Kombi, furgões tipo Besta e Renault Master, e SUVs. As
mesmas soluções para transportar bikes nas caçambas das picapes valem
para esses carros.
MALA ATÉ NO TETO
Quem viaja com a bicicleta leva toda uma tralha específica para
pedalar. São várias peças do vestuário técnico, mochila de hidratação,
bomba, as sapatilhas, ferramentas e todo um arsenal de equipamentos de
segurança. Onde colocar tudo isso e mais a bike? Pensando nisso, o
mercado oferece os bagageiros de teto, que são enormes caixas com espaço
de sobra para a bagagem.
A Thule tem modelos que comportam até 630 litros de carga e suportam
até 75kg. São feitos em plástico ABS e atendem as mais rígidas normas de
segurança europeias. Podem ser abertos de ambos os lados e têm fecho
com chave. A brasileira Eqmax oferece dois modelos, um que comporta 310 e
outro para 390 litros.
MOTOS
Sim, motociclistas também têm vez. A criatividade do brasileiro é
imensa e muitos ciclistas improvisam e fabricam seus próprios suportes
para levar a bike na moto. O suporte Moto TransBike é fabricado no
Brasil desde 2011 e tem patente requerida.

Comercializado a partir de R$ 320, o equipamento pode ser instalado
em vários modelos de motocicletas da Honda, Yamaha, Suzuki e Dafra. O
kit é fácil de ser montado no suporte traseiro da moto. Opcionalmente a
empresa vende também uma bolsa para o transporte da roda dianteira.
DICAS PRÁTICAS
Segure a bike pelo garfo e pelo seat stay para levantar até o teto do
carro. Quando mais em baixo você segurar, menos força você vai fazer
para levantar a bike.
Faça um aviso de cartolina de cor chamativa e pendure-a no retrovisor
interno para lembrá-lo que está levando bikes no teto. Tenha cuidado
com árvores, portarias de prédios, portões e pontes baixas. Saiba a
altura total de seu carro com as bikes no teto e anote em algum lugar.
Algumas passagens baixas têm placas indicativas da altura máxima
permitida.
Com as bikes no rack, transite em velocidade moderada e com cuidado
ao transpor obstáculos, em estradas de terra, redobre os cuidados.

As bikes fixadas no rack de teto e viradas de frente para a estrada, podem levantar vôo se não forem bem presas.
Use sempre algum sistema de segurança, como cadeados ou correntes, para evitar furtos.
Ao transportar sua bike no interior do carro, verifique se ela está
bem segura. Uma boa ideia é mantê-la presa com os cintos de segurança do
assento traseiro.
Uma dica para proteger o quadro da bike num rack de traseira é
adquirir nas lojas de refrigeração aqueles tubos utilizados em
isolamento. São vendidos por metro e custam muito pouco.
Os suportes de traseira costumam soltar as tiras de fixação,
portanto, após rodar alguns quilômetros, pare o carro de tempos em
tempos para verificar.
Deixe para lubrificar a corrente da bike no destino final da viagem.
Uma corrente lubrificada vai atrair toda a poeira do caminho, em
especial, nas estradas de terra. |
RACK NA LEI
É importante conhecer a lei para evitar multas e pontos da carteira.
O parágrafo VI, do artigo 230º do Novo Código de Trânsito Brasileiro,
estabelece que é infração gravíssima conduzir o veículo: “Com qualquer
uma das placas de identificação sem condições de legibilidade e
visibilidade”. A punição é de multa, remoção do veículo, além de sete
pontos na CNH.
É importante também se certificar que a bike (ou qualquer que seja a
carga transportada por qualquer veículo) não ultrapasse a largura máxima
permitida por lei (Resolução 12/98 do Conselho Nacional de Trânsito),
que é de 2,60 m de largura, 4,40 m de altura e 14 m de comprimento.
Ultrapassar qualquer um desses limites significa tomar uma multa grave
além de perder cinco pontos na CNH e o veículo poderá ficar retido até a
regularização.
Desde maio de 2010, a Resolução 349/2010, do Contran (Conselho
Nacional de Trânsito), clareou os critérios e a definiu as leis do
transporte de bicicletas. O transporte da bike na parte exterior do
automóvel está liberado desde que sejam observados alguns cuidados.
A carga ou a bicicleta deverá estar acondicionada e afixada de modo que:
- O transporte de cargas e de bicicletas deve respeitar o peso máximo especificado para o veículo;
- Não coloque em perigo as pessoas nem cause danos a propriedades
públicas ou privadas, e em especial, não se arraste pela via nem caia
sobre esta;
- Não atrapalhe a visibilidade a frente do condutor nem comprometa a estabilidade ou condução do veículo;
- Não provoque ruído nem poeira;
- Não oculte as luzes, incluídas as luzes de freio e os indicadores de
direção e os dispositivos refletores; ressalvada, entretanto, a
ocultação da lanterna de freio elevada;
- Não exceda a largura máxima do veículo;
- Não ultrapasse as dimensões autorizadas para veículos estabelecidas
na Resolução CONTRAN nº 210, de 13 de novembro de 2006, que estabelece
os limites de pesos e dimensões para veículos que transitam por vias
terrestres e dá outras providências, ou Resolução posterior que venha
sucedê-la;
- Todos os acessórios, tais como cabos, correntes, lonas, grades ou
redes que sirvam para acondicionar, proteger e fixar a carga deverão
estar devidamente ancorados e atender aos requisitos desta Resolução;
- Não se sobressaiam ou se projetem além do veículo pela frente;
- Será obrigatório o uso de segunda placa traseira de identificação
nos veículos na hipótese do transporte eventual de carga ou de bicicleta
resultar no encobrimento, total ou parcial, da placa traseira;
- A segunda placa de identificação será aposta em local visível, ao
lado direito da traseira do veículo, podendo ser instalada no
para-choque ou na carroceria, admitida a utilização de suportes
adaptadores;
- A segunda placa de identificação será lacrada na parte estrutural do
veículo em que estiver instalada (para-choque ou carroceria).